CO-LAB WALK MY CITY FREE

Entrevistas GRUPOS DA SOCIEDADE CIVIL

Para o desenvolvimento deste estudo consultámos diferentes organizações representativas da mulher e das questões relacionada com o género, nas cidades e na sociedade portuguesa.

Colocámos três perguntas como base:

  1. Parece-lhes importante discutir os constrangimentos associados ao género quando se anda a pé na rua para deslocações necessárias ou no caminhar pelo prazer?
  1. Têm recomendações para melhorar a segurança e conforto nas ruas/nas avenidas/nos jardins, relacionadas com o andar a pé e tendo em conta a realidade relacionada com o género?
  1. Da vossa experiência associativa, sentem que as pessoas estarão disponíveis para participar nesta discussão? Estamos a pensar em formatos colaborativos de base local. É também vossa opinião que o envolvimento de associações como a vossa (não pedimos qualquer compromisso) são a melhor forma para envolver as pessoas interessadas?

RESPOSTAS DAS ONG

A muito representativa APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, respondeu-nos que adere com determinação à discussão e intervenção: “Parece-nos fundamental discutir estes constrangimentos associados ao género, até porque as situações de importunação sexual, de comentários objetificadores e machistas no espaço público são muito presentes e as vítimas são mulheres na sua grande maioria”.

A REDE ANIMAR, com delegações por vasta parte do território urbano português, destaca que “o sexismo presente em muitos casos nas ruas é um constrangimento para muitas mulheres e jovens mulheres/adolescentes, nomeadamente na escolha por onde andar”.

Esta REDE ANIMAR avança propostas concretas para melhorar a segurança e o conforto nas ruas / nas avenidas / nos jardins, relacionada com o andar a pé na cidade:

“Boa iluminação noturna, existência de pequeno comercio promovendo a circulação de pessoas, campanhas de combate à cultura de tolerância em relação ao sexismo, segurança nos parques como a existência de profissionais de limpeza e outros, existência de equipamentos favoráveis ao uso dos parques e jardins (infantil, para praticar atividades físicas, de repouso e atividades de grupo, sanitários, equipamentos para amamentação, equipamentos facilitando o uso por pessoas com deficiências),  ruas, jardins e parques cuidados, limpos com piso cuidado e forma a promover o seu uso diário pelas pessoas, evitando zonas demasiado isoladas.”

O Grupo COOLABORA, respondeu com expressão de entusiasmo por este tema estar a ser estudado. Expressa: “Os constrangimentos são imensos, mesmo em cidades de dimensão média onde o assédio sexual às mulheres também é comum.”

O CooLabora defende “melhor iluminação nas ruas, melhor planeamento dos espaços públicos, com auscultação dos vários grupos sociais que os usam (mulheres, jovens, idosos, crianças, et.) campanhas contra o machismo, campanhas de empoderamento das mulheres.”

O grupo ValsaVou também expressou entusiasmo por o tema “a mulher a andar a pé na rua” estar a ser tratado. E diz-nos: “Os nossos corpos não passam despercebidas nas deslocações, por mínimas que sejam. Em muitos casos, para além dos constrangimentos estruturais mais rotineiros – que acabam não sendo vistos/reconhecidos como violências, dependendo do local ou hora ou “passabilidade” dessas pessoas (pessoas não-brancas, trans, não-bináries, corpas gordas, pessoas com deficiência, mulheres idosas, pessoas grávidas e outras) – a violência pode ser ainda mais explícita e realmente colocar em risco sua integridade física e mental”.

O Coletivo AcessoCultura inquieta-se pela resignação de muitas mulheres e assume: “ É inquietante que a grande maioria entre nós não esteja consciente dos constrangimentos e que mesmo as pessoas visadas encarem a pressão do assédio como algo natural, um facto da vida”

Um outro coletivo de mulheres, a Associação ComuniDária, expressa alarme “É no andar a pé que muitas mulheres são confrontadas com o abuso violento decorrente do género feminino”.

Todas estas e outras associações defendem a discussão pública da “realidade tensa” que é “a mulher a andar a pé na cidade”.

 

Entrevistámos também Bo Irik, 30 anos, empresária, nasceu nos Países Baixos e vive há 9 anos em Portugal.

É ativista do grupo CORRER NA CIDADE [https://corrernacidade.com/quem-somos-254836]. Participou em 2016 e prepara-se para participar em 2021 na Maratona de Amesterdão.

Sabe que há pessoas que desistiram de correr por causa do assédio que sentiam [https://www.dn.pt/edicao-do-dia/11-ago-2020/conheco-mulheres-que-desistiram-de-correr-por-causa-do-assedio-que-sofriam-12512022.html].

Bo não tem essa experiência. Admite que por correr quase sempre com o marido por companhia, nunca sentiu casos de assédio.

Mas, sozinha, em Lisboa, já sentiu “experiências desagradáveis, por exemplo ao atravessar o Bairro Alto, gente que faz comentários que não são piropos, por serem grosseiros”.

Bo corre diariamente na margem lisboeta do Tejo. Considera que é o melhor lugar de Lisboa para caminhar ou correr, porque “há sempre, a qualquer hora até dentro da noite a fazer o mesmo, e isso dissuade qualquer tipo de intromissões”.

Mesmo assim, Bo faz questão de expressar uma melhoria que deseja: “melhor, muito melhor iluminação forte e contínua, quer nos corredores pedonais quer nas zonas envolventes”.

Em tudo o mais, para quem se movimenta a pé, Bo compara Lisboa com Amesterdão: “pode-se andar à vontade em zonas centrais, pode ser desagradável em algumas zonas frequentadas por pessoas que gostam de se colocar marginais”.

Project Co-Lab Walk my city free is a EEA Grants co-financed project initiated in 2020.

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